Os livros estacionam na cidade
Por Ailton Silva Jornalista 29/11/2025 - 20h10min - 1 min de leitura
Na primeira semana de dezembro, a Rodoviária Municipal de Ariranha deixará por alguns dias sua rotina de partidas espaçadas e bancos vazios para receber um visitante incomum: uma feira inteira sobre rodas, carregada de livros e da ambição silenciosa de aproximar a cidade da leitura. De 1º a 5 de dezembro, das 8h às 20h, a Feira Móvel do Livro estaciona no local como quem abre as portas de outra paisagem — uma onde personagens, autores e histórias caminham lado a lado com passageiros apressados.
A carreta da empresa Raul Livros, já acostumada a cruzar cidades pequenas e médias do interior paulista, chega trazendo de tudo: livros infantis coloridos, romances adultos, mangás, HQs, gibis e aquelas edições que, mesmo sem ser raras, parecem ter esperado justamente esse encontro para serem descobertas. A variedade é tanta que o visitante pode entrar sem saber o que busca e sair com algo que nem imaginava querer.
A iniciativa é da Prefeitura de Ariranha, por meio da Diretoria de Cultura e Lazer, e tem o apoio declarado do prefeito Emerson Antônio Trovó. Para além do protocolo institucional, a feira funciona como um lembrete de que, às vezes, basta deslocar fisicamente os livros para que eles se tornem mais próximos — mais possíveis — do leitor comum.
O diretor de Cultura e Lazer, Gabriel Aparecido de Carvalho, observa a movimentação com entusiasmo contido. Ele acredita que ações como essa criam pontos de contato entre a comunidade e o universo literário. “Eventos assim fortalecem o vínculo das pessoas com o livro, valorizam o conhecimento, a imaginação e o hábito de ler”, diz, como quem tenta medir o impacto de um gesto simples: levar livros até onde as pessoas estão.
Na prática, a feira é também um pequeno experimento social na cidade: durante cinco dias, qualquer morador que circula pela rodoviária pode ser capturado por uma capa chamativa, por uma frase solta ou por uma curiosidade súbita. E esse encontro, ainda que breve, pode produzir o tipo de faísca que a gestão municipal espera: leitores novos, leitores de volta, leitores retomados.
Ariranha, por alguns dias, será lembrada como uma cidade em que os livros chegaram antes do que muita gente imaginava — e, estacionados na rodoviária, convidaram todos a entrar.
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