Fim do improviso: Prefeito Dedê enfrenta problema histórico do abastecimento de água em Ariranha
A Prefeitura avança com obras e revisão tarifária para cumprir a lei sem penalizar a população. “Quero a água mais barata da região”, afirma Dedê.
Por Ailton Silva Jornalista 21/06/2026 - 17h31min - 1 min de leitura
A antiga crise no abastecimento de água tratada em Ariranha deixou de ser apenas um problema estrutural e passou a integrar a lista dos principais desafios da atual gestão. A solução da falta de água, recorrente há décadas, tornou-se prioridade do prefeito Dedê Trovó (PL), que assumiu o município sob pressão por resultados.
Com experiência no setor da construção civil, o chefe do Executivo afirma ter herdado um sistema fragilizado, marcado por falhas de planejamento e ausência de investimentos contínuos. O resultado, segundo ele, é uma cidade que conviveu por anos com interrupções no fornecimento e, em muitos casos, sem garantia de água tratada chegando regularmente às torneiras.
Em entrevista ao Jornal de Domingo, Dedê foi direto ao atribuir o cenário atual a gestões anteriores, classificando como “revoltante” o uso ineficiente de recursos públicos. Para ele, a solução passa por organização administrativa, responsabilidade fiscal e investimentos estruturais.
Nesse sentido, a Prefeitura já projeta a construção de dois novos reservatórios: um com capacidade de 200 mil litros para atender o conjunto habitacional Luiz Ravazzi e outro de 300 mil litros voltado à região central. O investimento ultrapassa R$ 1 milhão e integra um pacote de ações para ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição.
O prefeito também sustenta que sua gestão já demonstrou capacidade de reequilíbrio financeiro ao quitar mais de R$ 10 milhões em precatórios herdados e ao modernizar a iluminação pública, com cobertura total em LED.
Solução
Se a falta de água expõe um problema visível, a forma como o serviço é cobrado revela uma distorção ainda mais profunda. Atualmente, grande parte da população paga apenas uma tarifa mínima, sem medição individual do consumo. Na prática, isso significa que quem consome pouco paga o mesmo que quem consome muito.
A ausência de hidrômetros em diversos imóveis impede o controle real da distribuição, dificulta o combate ao desperdício e compromete a sustentabilidade financeira do sistema.
Agora, a Prefeitura iniciou um processo de mudança desse modelo, com a obrigatoriedade de instalação de hidrômetros e a implantação de cobrança baseada no consumo efetivo. A proposta é simples na teoria, mas sensível na prática: cada morador pagará pelo que consumir.
A medida encontra respaldo no Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que exige profissionalização da gestão, equilíbrio econômico-financeiro e metas de universalização. Municípios que não se adequarem podem perder acesso a recursos federais, enfrentar restrições legais e até serem obrigados a reformular completamente o modelo de prestação do serviço.
Além disso, o alto consumo médio registrado no município — acima dos padrões recomendados — reforça a necessidade de controle mais rigoroso e uso consciente da água.
Pressão legal e disputa política
A discussão avança também no campo legislativo. Tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que depende da atualização de um decreto para definir os novos valores da tarifa.
Segundo o prefeito, o objetivo é garantir uma das tarifas mais acessíveis da região. Ele critica o modelo anterior, afirmando que, se aplicado hoje com as devidas correções, colocaria Ariranha entre as cobranças mais altas — em patamar próximo ou até superior ao praticado por grandes companhias como a Sabesp.
“Isso é inadmissível. A população tem direito à água tratada de qualidade e com preço justo, mais acessível que qualquer cidade da região”, afirmou.
A expectativa é que um novo decreto com valores revisados seja encaminhado ao Legislativo, abrindo espaço para debate e votação.
Entre obras estruturais, revisão tarifária e pressão legal, o saneamento em Ariranha deixa de ser apenas uma questão técnica e se consolida como um dos principais testes de gestão da atual administração — com impacto direto no bolso da população e no futuro financeiro do município.
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