Catanduva prepara vistorias técnicas para voltar a moer em março
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Jornal De Domingo - Da Reportagem Local 27/10/2023 - 09h47min - 2 min de leitura
Técnicos do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) farão uma inspeção para verificar o estado das caldeiras da Usina Catanduva, com o objetivo de fazer a companhia voltar a moer cana, para a produção de açúcar, no mês de março de 2024.
Será um retorno à meia força, com moagem estimada de 2 milhões de toneladas, a fim de, antes de tudo, testar a reativação da parceria entre a usina e os fornecedores de cana.
Este foi o principal resultado de uma reunião, na sexta-feira dia 20, da diretoria-executiva do GVO com representantes da Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Catanduva (AFCRC). O novo diretor-executivo do GVO, Marcos Roberto dos Santos, e a presidente da AFCRC, Nadia Gomieri, estiveram presentes.
Restam, contudo, algumas indagações a serem respondidas, a maior parte delas referente a providências e capacidades da Usina para voltar ao trabalho, após dois anos de inatividade.
Dívidas
A Virgolino de Oliveira cumpre um Plano de Recuperação Judicial, que se destina a quitar débitos federais e com particulares.
Em função da proposta de reativar a moagem, já ficou decidido que as unidades industriais da GVO de Monções, José Bonifácio e Itapira serão vendidas, assim como propriedades rurais e equipamentos considerados dispensáveis.
Entretanto, para que essa iniciativa de retomada da produção alcance sucesso, há custos que ainda precisam ser dimensionados, como o da quantidade de contratações – ou recontratações – de pessoal a ser feita, e o da retomada dos serviços de reserva de áreas, transporte da cana para a Usina, vigilância, refeitório e administração.
Esforço em várias frentes afasta da Usina a figura da falência

Foto: FreePik
Em 1970, a partir de sua incorporação pela prestigiosa Companhia Virgolino de Oliveira – fundada em um distante 1921 –, a Usina Catanduva cumpriu uma trajetória ascendente que a transformou em uma espécie de empresa-padrão do setor sucroalcooleiro paulista, moendo 60% de cana proporcionada por fornecedores, e 40% de cana própria.
Entretanto, problemas conjunturais no segmento de açúcar e álcool, que tiveram início em 2009 e se intensificaram em 2014, aprisionaram a Catanduva em uma espiral de dificuldades, que, no começo de 2022, tornaram impossível a continuidade do seu funcionamento – ainda que em patamares mínimos.
A Catanduva acumulou débitos que totalizavam R$ 7 bilhões, e uma legião de credores: quase 8 mil, entre pessoas físicas e jurídicas, do Brasil e do exterior.
Costura
Mas esse quadro, agora – espera-se –, pertence, em definitivo, ao passado.
Pelo acordo que está sendo costurado, com as bênçãos da Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Catanduva, caberá aos fornecedores providenciar o corte, o transbordo e o transporte da cana que alimentará a Catanduva em sua nova etapa operacional.
Um Plano de Recuperação Judicial vem sendo cumprido desde o ano passado, e, num esforço de aproximação com a Fazenda Nacional, a Catanduva prometeu pagar R$ 1,3 bilhão ao Governo Federal.
Trata-se, na verdade, de um amplo esforço – em várias frentes – para afastar, em definitivo, da Usina Catanduva, a figura da falência, o que representaria o fracasso de sua aventura produtiva iniciada em 1970.
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